segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A última gota




Que a ânsia de vômito não me corroa os nervos. Que o sol não resseque minha pele e meus cabelos. Que a lua não me ponha pra fora as vísceras. Que o tempo não me mate por dentro. Que a seca não me derreta o sangue e a bondade. Que o cerrado não me tire a umidade. Que a dor não me tire o foco. Que o trabalho não seque meus sonhos. Que a brisa não me limpe a mente. Que a vida não me deixe a deriva. Que o sonho não me tire as raízes. Que as raízes não me impeçam o vôo. Que o vôo não me tire o chão. Que o chão não me finque ao centro. Que o centro não me deixe alheia. Que o avesso não me abandone o meio. Que a sinceridade não me escape das mãos. Que minhas mãos sejam sempre vivas. Que meus dentes não destruam a si mesmos. Que minha descrença não seja eterna. Que minha alegria de viver renasça. Que meu peito respire aliviado. Que a beleza me renove a fé. Que o trabalho não mate minha esperança. Que minha esperança me cure o desamparo. Que o amor me inunde o peito. Que meu peito me permita o vôo. Que o vôo me permita ser.

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